Criptografar o código-fonte é uma boa ideia?

Usar uma linguagem de programação interpretada, normalmente, significa que o código-fonte terá que ficar no servidor de produção (no caso de softwares para a web). Em alguns projetos, isto é um problema. Uma solução para muitos é manter o código-fonte criptografado. Apesar de ser uma prática muito comum, acredito que para muitas pessoas esta não é uma ideia muito boa.

A pouco tempo, estava procurando por um módulo de uma ferramenta que estava personalizando. O módulo era gratuito e não foi desenvolvido pelos criadores da ferramenta, que é paga (desculpe por não poder citar o nome das ferramentas. Não se preocupe, isso não é muito importante). Instalei o módulo e quando fui usar, percebi alguns erros. Logo pensei: “Não me parece muito difícil de consertar, talvez eu possa consertar rapidamente e mandar as alterações para os desenvolvedores”. Como vocês já devem imaginar, o código-fonte estava criptografado.

Não consegui imaginar porque alguém criptografaria uma ferramenta assim. Ao ler a página dos desenvolvedores, descobri que a estratégia era cobrar uma mensalidade para obter suporte (ainda assim, sem o código-fonte). Não sou um militante do FOSS (acredito eu), mas acho que criptografar o código e cobrar o suporte, neste caso, é um tremendo tiro no próprio pé.

Imagino que os criadores do módulo não disponibilizam o código por medo de que algum “concorrente” venda ou ofereça suporte ao produto deles. Este risco existe. Mas esta ação não resolve o problema.

Meu primeiro pensamento quando não pude ter acesso ao código foi fazer minha própria versão. Da mesma forma que eu pensei, outra pessoa também. Tanto que ao fazer um pesquisa no google, encontrei um módulo com o mesmo propósito, mais atualizações, sem os erros que eu havia encontrado e com o código aberto.

Pra completar, ao procurar opiniões sobre o módulo de código fechado, a imagem da empresa estava sendo praticamente destruída em diversos lugares, justamente por não permitir que os usuários possam melhorá-lo. Ou seja, a empresa obteve várias desvantagens: Os “concorrentes” podem oferecer suporte da versão de código aberto, os usuários avançados não são incentivados a mandar feedback e corre um grande risco da “má reputação” da empresa chegar aos demais usuários.

Este não é o único caso que eu conheço onde criptografar o código-fonte pode acabar gerando problemas. Já vi venderem código-fonte de software GPL criptografado, por exemplo.

Não acredito que todos os softwares podem ter seus códigos abertos. Mas muitas empresas ao decidir por não compartilhar seu código, não pensam nas desvantagens que podem ter. É sempre bom lembrar que existem idéias muito boas por aí. Por que não estar receptivo a elas?

imagem: johnath

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Um pensamento sobre “Criptografar o código-fonte é uma boa ideia?

  1. Interessante, Renan. Cheguei a esse post BEM ocasionalmente, e por grande coincidência passei por um problema similar, recentemente. E pelo modo como você o descreve, desconfio de que se trate EXATAMENTE do mesmo “módulo” a que você se refere. Realmente foi um tiro no pé criptografar a fonte, e ainda cobrar por suporte a um software que está cheio de problemas…
    Parabéns pelo blog, foi uma descoberta interessante!

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